28 de abril de 2008

Fantasia

A criança afundada no balde vela seu sono com cheiro de cândida. Escava sua pele para encontrar os ossos. Ela sabe que quem anda esconde atrás da retina sua escultura muda. A criança de brinquedo e cata-vento se debruça como flor para cheirar a flor e seus pés de âncora. E cai escorregada no balde esquecido.

Âncora, sua âncora é jogo sem par, como gaivota de bico e plumas brancos. O vestido de flores de lis embaraça a cor e descama a ânsia de um desenho não acordado. Vira um corpo sem corpo no leite, um copo de leite no leite. A criança de cor de indolência escorre na água para desfazer as cores e recuperar as linhas. A criança dispersa no poço desperta a água com seu sono de cor do nada.

A criança-espuma escorregada no balde ou açude pesca um pedaço de mim, que já morri.

Um comentário:

camila jabur disse...

o que fazer com isso?
nada.
fico olhando junto com você
parada
até que a espuma das ondas
toquem os pés
e o frio desperte todos os ossos
no colorido cegante
do azul