29 de novembro de 2008

NOVO ENDEREÇO

Caros, o blog foi dar uma volta de bicicleta e parou neste endereço:

www.maranaborges.blogspot.com

28 de abril de 2008

A esquina

Eu vivo em uma esquina. Entre a rua Ayala e a Montesa há um prédio antigo, com elevador apertado e escadas escuras. No quarto à direita, no segundo andar, também à direita, está meu pequeno povoado de personagens inconclusos. O que é habitar uma esquina? Entre os rios Negro e Solimões - isto é a vida de esquina. Olhar a vida desde esse ângulo às vezes me desespera: de onde sou? Se a porta do prédio está na Montesa, mas a janela do quarto abre para a Ayala, onde estou eu? A que povo pertenço?

Fantasia

A criança afundada no balde vela seu sono com cheiro de cândida. Escava sua pele para encontrar os ossos. Ela sabe que quem anda esconde atrás da retina sua escultura muda. A criança de brinquedo e cata-vento se debruça como flor para cheirar a flor e seus pés de âncora. E cai escorregada no balde esquecido.

Âncora, sua âncora é jogo sem par, como gaivota de bico e plumas brancos. O vestido de flores de lis embaraça a cor e descama a ânsia de um desenho não acordado. Vira um corpo sem corpo no leite, um copo de leite no leite. A criança de cor de indolência escorre na água para desfazer as cores e recuperar as linhas. A criança dispersa no poço desperta a água com seu sono de cor do nada.

A criança-espuma escorregada no balde ou açude pesca um pedaço de mim, que já morri.